Nos últimos dias tem-se falado muito em Aquecimento Global, nos males que isso poderá causar aos seres vivos e no que pode ser feito para amenizar essa situação.
É quase impossível não perceber as alterações de clima que o mundo vem sofrendo. No verão faz frio no sudeste, seca no sul e enchente no nordeste. Na Europa um calor insuportável mata milhares de pessoas e na Ásia tempestades deixam muitas vítimas. Tudo isso é prova de que alguma coisa está errada.
Cientistas afirmam que a alteração climática é uma das conseqüências do Aquecimento Global. Um estudo realizado pela organização ambientalista WWF, afirma que as temperaturas globais podem ter um aumento súbito em apenas vinte anos.
O estudo diz que o Ártico é a parte do planeta que está aquecendo mais depressa, o que ameaça a vida dos esquimós devido ao derretimento da calota polar, e pode levar à extinção espécies como os ursos polares.
Estudiosos afirmam que as temperaturas médias globais subiram cerca de 0,7ºC desde 1750. E garantem que esse aumento anormal é conseqüência do acúmulo de gases, como o metano e o dióxido de carbono (CO2), na atmosfera. Esses gases aprisionam o calor irradiado pelo planeta, fenômeno conhecido como
Efeito Estufa.
Se por um lado corremos o risco de sofrer com o aquecimento, por outro convivemos tranqüilamente com algumas de suas causas, pois esses gases são produzidos por atividades humanas, como por exemplo, a queima de petróleo.
Então, direta ou indiretamente cada pessoa contribui para o aquecimento ao andar de carro, ônibus ou avião, que consomem combustível. É importante lembrar também que o petróleo foi queimado para produzir o telefone, o computador, a TV e o rádio que usamos diariamente.
Para tentar combater esse fenômeno ou minimizar as conseqüências, em 1997 a Terceira Conferência das Partes da Convenção do Clima, no Japão, produziu o Protocolo de Kyoto, no qual diz que países industrializados devem cortar suas emissões de gases para baixo dos níveis de 1990.
Protocolo de Kyoto Diante das ameaças do Aquecimento Global, a ONU (Organização das Nações Unidas) desenvolveu algumas propostas para estabilizar a composição atmosférica sem causar uma crise na economia global.
Uma dessas propostas é o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 no Japão, que já entrou em vigor e estabelece limites compulsórios para a emissão de gases que causam o efeito estufa por países desenvolvidos. Esses países precisam diminuir sua emissão em 5,2% dos níveis de 1990. A meta tem de ser cumprida entre 2008 e 2012.
Grupos ambientalistas e a ONU afirmam que esse pacto é um importante passo na tentativa de limitar o aumento de temperaturas, do nível do mar e dos extremos meteorológicos.
A decisão era de que o documento só viraria lei depois que 55 países aprovasse e que entre esses países estivessem pelo menos 55% dos responsáveis pela emissão total de carbono na atmosfera global.
Esse índice atingiu 61,6% em outubro/2004 com a adesão da Rússia, que sozinha responde por 17,4% da poluição mundial. O que atrapalhou um pouco o tratado foi o fato de os Estados Unidos não assinarem o protocolo. Só eles lançam na atmosfera cerca de 30% de todos os poluentes.
Eles alegaram que se assinassem o protocolo, a adaptação de suas empresas às normas ambientais resultaria em uma crise econômica e altos índices de desemprego e que preferem tentar convencer as indústrias poluidoras a adotarem novas tecnologias. O protocolo foi ratificado por 141 países, incluindo o Brasil.
Corrida contra o tempoCortar emissões de gases significa tentar evitar o aumento de 2ºC na temperatura global, e o medo dos cientistas é que em algum ponto as temperaturas possam disparar um aquecimento descontrolado.
"O tempo está se esgotando para evitar um aumento de dois graus", disse Mark New, climatologista da Universidade de Oxford (Reino Unido), autor do estudo que prevê as datas de 2026-2060 - um dos artigos que integram o relatório do WWF.
Outros cientistas discordam de Mark e dizem que esse tipo de previsão é alarmismo, já que há muita incerteza nos modelos climáticos.
Divergências de opiniões à parte, o fato é que esse assunto está assuntando muita gente, porque fatos ocorreram e isso não dá pra negar. Nos últimos dez anos, mais de 210 milhões de pessoas foram vítimas de catástrofes causadas por fenômenos naturais associados ao clima.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, os fenômenos são: ondas de calor, enchentes, incêndios nas florestas, furacões, tornados e ciclones.
E além de todas as conseqüências já conhecidas tem também o prejuízo financeiro causado pelos desastres, que chegou na casa dos 40 bilhões de dólares e 98% da população atingida vive nos países em desenvolvimento.
Os perigos do aquecimento Tudo vai depender do ritmo e da intensidade com que as coisas vão acontecer, mas estimativas revelam que dentro de décadas ou séculos pode haver o derretimento gradual das calotas polares. Se isso acontecer, o nível do mar se elevará fazendo submergir ilhas e colocando em risco a população das zonas costeiras dos continentes.
De acordo com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), com o aquecimento global, grandes alterações climáticas se tornarão mais freqüentes.
As conseqüências são terríveis; mudanças nos padrões de secas e chuvas causarão sérios prejuízos para a agricultura. Algumas áreas de preservação ambiental entrarão em colapso e crescerão os riscos de disseminar epidemias em escala mundial.
Não se sabe ainda se são exatamente essas conseqüências que a Terra sofrerá diante dessas mudanças, mas o mais previsível é o derretimento das geleiras e o aumento resultante do nível dos mares, porque mesmo um aumento de 40 cm poderia ser desastroso para as regiões costeiras.
Todo mundo pode ajudar
Pequenos gestos já ajudam muito. Se cada um se preocupar em economizar energia já é um grande passo; apagar sempre a luz, fechar rápido a porta da geladeira, não deixar aparelhos eletrônicos ligados sem necessidade, entre outras posturas que todo cidadão preocupado deve ter, geram bons resultados.
Os governantes também devem arregaçar as mangas recuperando áreas degradadas, como o tratamento do esgoto e do lixo e tratando da poluição dos solos e dos rios, pois a poluição acumula metano na atmosfera. E já vimos que esse gás é um veneno.
Não se sabe se é medo do que pode vir, ou "obrigação" de cumprir as metas do Protocolo de Kyoto, mas o fato é que muitos países já estão mudando seus hábitos. Um exemplo é a Alemanha que está implantando um sistema onde os consumidores que utilizarem energia solar em casa, serão isentos de impostos. E as sobras do consumo doméstico serão transferidas para as correntes públicas de energia.
No Brasil, projetos de geração de certificados de redução de emissões pelo MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) já recebem investimento. O primeiro projeto certificado de MDL do mundo é o programa NovaGerar, do aterro sanitário de Nova Iguaçu (RJ).
Por enquanto a redução de metano será de 2.000 toneladas, sendo que a capacidade total do aterro é de 4.000 toneladas de gás por dia. Uma tonelada de metano equivale a aproximadamente 21 toneladas de carbono.
O objetivo é drenar o gás metano e aproveitá-lo como combustível na estação de tratamento de chorume (líquido extraído do lixo armazenado). Atualmente a energia produzida é suficiente para manter o sistema de transformação do lixo.
Quando atingir sua capacidade total, a energia deverá ser suficiente para abastecer todos os prédios públicos de Nova Iguaçu. Esse é apenas um dos oito projetos de MDL que estão em andamento no país.
Perguntas e Respostas Quais são as metas?O Tratado prevê que as nações industriais devem reduzir suas emissões em 5,2%, em média, em relação aos níveis de 1990. A redução deve ser feita no período de 2008 a 2012. São seis os gases a serem cortados: o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), o grupo dos hidrofluorocarbonos (HFCS), o dos perfluorocarbonos (PFCS) e o hexafluoreto de enxofre (SF6).
Como cumpri-las?Os países com metas a cumprir podem adotar os chamados mecanismos de flexibilização, que são três: a troca de direitos de poluição entre eles (quem cumprir sua meta pode vender “créditos” a quem ainda está por fazê-lo), a compra de créditos da Rússia (o chamado “ar quente”) e o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), no qual os créditos são comprados do Terceiro Mundo.
E o Brasil, como fica?A Convenção do Clima se pauta sobre o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Ou seja, os países pobres contribuíram menos para o problema, portanto, não pagam a conta no primeiro momento. Os gigantes do Terceiro Mundo (Brasil, China, Índia e México) não têm metas a cumprir por Kyoto, mas sua participação deverá ser negociada nem segundo período de reduções, após 2013.
O que é MDL?O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo foi criado com base em uma proposta brasileira durante a conferência de Kyoto, em 1997. Ele prevê investimentos dos países com metas a cumprir na reformulação do modelo energético das nações pobres, para obter “créditos de carbono”. Cumpre-se, assim, um duplo papel: os riscos barateiam sua lição de casa e evitam que os pobres se tornem grandes poluidores no futuro.
E quem não cumprir?O tratado prevê penalidades para quem não cumprir as metas de redução, como dobrar o compromisso no segundo período (que ainda está por ser negociado). Como acordo diplomático, outras retaliações são possíveis em várias esferas de cooperação internacional.
Vai dar certo?O protocolo foi bastante enfraquecido sem os EUA, principal emissor de gases-estufa do mundo (com 36% das emissões das nações industriais e quase 25% das emissões totais do planeta), e a maioria das nações ricas que aderiram a ele aumentaram tanto suas emissões na última década que muitos especialistas acham que não vai dar tempo de cumprir as metas.