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  A escola do século XXI
> O sucesso pode ser fruto da educação
  
A escola do século XXI

A escola do século XXI só terá sentido se ela assumir também a missão de ensinar ao aluno como aplicar o que aprendeu para ser "uma metamorfose ambulante", um ser produtivo em permanente desenvolvimento e útil à sociedade, mas também para construir sua própria individualidade e obter felicidade, realização pessoal e sucesso. Essa escola deve ser bem mais ampla do que o limitado espaço das quatro paredes de um edifício escolar tradicional, onde, até o presente, pouco se tem ensinado para que a pessoa mude efetivamente sua mentalidade e suas atitudes para ter uma vida melhor. Isso só é possível se a pessoa educa-se para formar uma visão de fé em si mesmo, de coragem para a ação e de persistência na busca de seus objetivos.

A escola deste milênio deve prepar para a vida e ser formadora de vencedores, ou seja, de homens e mulheres com princípios éticos e forjadores de uma mentalidade de sucesso, princípios que realmente funcionem.

O sucesso pode ser fruto da educação

Um dos maiores erros que um educador pode cometer - e transmitir a seus alunos - é o de pensar que o sucesso decorre de algo mágico, fruto de alguma genialidade ou privilégio de algumas poucas pessoas superdotadas. O sucesso pode ser fruto de um processo educativo. Hoje em dia, está definitivamente comprovado que o sucesso de um ser humano depende, em primeiro lugar, da forma como ele se vê, se define e se projeta no futuro; em segundo lugar, do modo como ele administra o seu tempo. O sucesso depende da atitude de cada um diante da vida e pode estar sob controle daqueles que assumem, conscientemente, responsabilidade pela sua própria maneira de ver o mundo e de dirigir suas atitudes.

Quem procura sempre a culpa ou responsabilidade pela sua situação de vida fora de si mesmo está fadado ao fracasso. Os governos passados e o atual têm suas parcelas de responsabilidades pelas precárias condições dos baixos índices de desenvolvimento social do País, mas a condição de fracasso ou de sucesso de cada um não decorre de favores ou de omissões dos governantes, nem de nenhum determinismo, mas, sim, da atitude que se toma diante da própria vida. Daí a importância da educação, pois ela atua diretamente na formação da mentalidade da pessoa e nada limita mais o potencial humano do que o pensamento negativo.

A mudança começa com cada educador

Mais do que nunca, portanto, é preciso mudar a educação, começando com cada educador e com a consciência de que o pensamento positivo, a auto-estima, a auto-confiança, a auto-motivação e atitudes de sucesso podem ser aprendidas por qualquer um que deseje mudanças em sua vida e na de outras pessoas.

Felizmente, a LDB não coloca obstáculos a essas mudanças e a tantas outras que o prezado leitor, as escolas e os educadores deste País poderão propor e implantar. O que se espera, portanto, dos profissionais da educação é que usem mais a sua criatividade e despertem a de seus alunos. Só assim a educação continuará tendo sentido e contribuirá para a construção de pessoas com menos ignorância e mais sabedoria, voltadas para a construção de um mundo melhor para todos.

Uma política regional e um sistema baseado na eqüidade e na qualidade

Desta forma, estaremos criando as condições essenciais para o desenvolvimento de um sistema de educação latino-americano, com uma política regional acima das políticas de cada Estado e, principalmente, das políticas de cada governo. Este sistema deverá ter como base do desenvolvimento educacional a equidade e a qualidade.

Uma educação para a paz

Além de se basear na eqüidade e na qualidade, a educação do século XXI deverá se voltar para a paz, entendida esta não apenas como ausência de guerras, mas, como diz o Diretor-Geral da UNESCO, Federico MAYOR: "Por toda parte e sob todos os pontos de vista, a educação é essencial para a paz. A paz que é, todos sabemos, mais que a simples ausência de conflito. É uma cultura fundada sobre a tolerância e o respeito ao outro; é um espírito de solidariedade ativa entre os indivíduos, que repousa sobre uma esperança comum de justiça e paz. A manutenção e a promoção desses valores deve figurar entre as tarefas primordiais da educação. A promoção da democracia e dos direitos humanos é um elemento chave do processo de consolidação da paz. (...). Através da educação, nosso dever enquanto educadores é orientar a energia e o idealismo das novas gerações para a edificação de uma sociedade de paz, de progresso e de prosperidade. Em todas as culturas, a função que nós devemos reforçar é a da consolidação da paz. Nós devemos insuflar nos jovens de toda parte uma ética de partilha e de atenção aos outros. Devemos preparar o terreno de um nova civilização, onde prevaleça não mais a espada, mas o verbo. Edificar a paz no espírito dos homens, favorecer a passagem de uma cultura da guerra a uma cultura da paz fundada sobre a justiça e a eqüidade, tal é, em última análise, a tarefa a qual devemos nos consagrar".





Fonte:
MOTTA, Elias de Oliveira.Direito Educacional e Educação no século XXI.. Brasília: UNESCO, 1997.

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