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Piaget e Vygotsky: Contribuições ao estudo do brincar
Anriet Barros de Siqueira e Mira Carla Prado de Noronha*
O lugar ocupado pelo brincar na dinâmica escolar fica restrito, muitas vezes, ao horário do recreio. Talvez este seja o único momento em que a brincadeira infantil seja vista como uma atividade. Mas, na verdade, ela é muito mais que isso: desenvolve a criatividade, permite a vivência para a aprendizagem, é uma atividade mediadora da criança com o mundo em que vive e é capaz de colocar em movimento vários processos do desenvolvimento infantil.
Vamos nos ater, mais especificamente, ao processo de aprendizagem e nos referir, inicialmente, aos estudos de Jean Piaget. O teórico, que se dedicou ao estudo do desenvolvimento cognitivo das crianças, menciona dois conceitos básicos na construção do pensamento infantil, principalmente no que condiz à adaptação da criança a sua realidade: a assimilação e a acomodação. De acordo com o autor, a assimilação é o processo de incorporação de novas experiências ou informações que chegam à criança. Já a acomodação é o processo de modificação de suas idéias ou estratégias em função de uma nova experiência.
No decorrer da assimilação e da acomodação, que ocorrem concomitantemente, podemos considerar a atividade lúdica como uma ferramenta integradora no desenvolvimento do conhecimento, que permite que a criança expresse e compreenda o mundo - no qual ela terá de se inserir e, possivelmente, o qual terá que transformar - que se apresenta a ela. Assim, podemos considerar que o brincar é uma forma importante de intervenção no campo da saúde mental, contribuindo de maneira significativa para o desenvolvimento da cognição, da linguagem, da área motora e da área social da criança.
Outro autor que também se dedicou ao estudo e à pesquisa das relações entre o desenvolvimento e a aprendizagem foi Vygotsky. O psicólogo russo atribuiu enorme importância ao papel da interação social no desenvolvimento do ser humano. Uma das contribuições mais significativas das teses que formulou está na tentativa de explicitar como o processo de desenvolvimento é socialmente construído. Essa é a principal razão de seu interesse no estudo da infância e da atividade lúdica expressa pelas crianças.
Para Vygotsky, o brinquedo é uma importante fonte de promoção do desenvolvimento. O termo "brinquedo" se refere à atividade, ao ato de brincar, mais especificamente ao jogo de papéis ou à brincadeira de "faz-de-conta", isto porque já temos a atuação do simbólico, do processo de abstração das idéias.
De acordo com o autor, com o brinquedo a criança aprende a atuar numa esfera cognitiva que depende de motivações internas. Nessa fase (idade pré-escolar) ocorre uma diferenciação entre os campos de significado e de visão. O pensamento, que antes era determinado pelos objetos do exterior, passa a ser regido pelas idéias. A criança brinca pela necessidade de agir em relação ao mundo mais amplo dos adultos e não apenas ao universo dos objetos a que ela tem acesso. Pelo brinquedo, a criança projeta-se nas atividades dos adultos e procura ser coerente com os papéis assumidos. *Anriet Barros de Siqueira e Mira Carla Prado de Noronha são psicólogas e coordenadoras do PROCAE
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